O Tesouro Prefixado é um dos títulos mais interessantes do Tesouro Direto — e também um dos mais incompreendidos. Muitos investidores evitam esse ativo por medo de "perder dinheiro" antes do vencimento, mas outros especialistas o consideram a melhor oportunidade da renda fixa em ciclos específicos da economia.

Neste guia completo, você vai entender quando o Prefixado faz sentido, como ele se comporta em diferentes cenários de taxa de juros e qual é o momento certo de incluí-lo na sua carteira.

O Que É o Tesouro Prefixado?

O Tesouro Prefixado é um título público federal que paga uma taxa de juros fixa e definida no momento da compra. Isso significa que, se você comprar um título com taxa de 13,5% ao ano, você receberá exatamente essa rentabilidade — independentemente do que acontecer com a Selic, a inflação ou qualquer outro índice.

Existem dois tipos principais:

  • Tesouro Prefixado (LTN): Paga o valor nominal de R$ 1.000 no vencimento, sem cupons intermediários
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F): Paga cupons de juros a cada seis meses, ideal para quem busca renda recorrente

A previsibilidade é a principal vantagem: você já sabe exatamente quanto vai receber no vencimento.

Como a Selic Afeta o Tesouro Prefixado?

Aqui está o ponto mais importante que todo investidor precisa entender: o preço do Tesouro Prefixado se move inversamente à taxa de juros de mercado.

Quando a Selic sobe, o preço do título cai. Quando a Selic cai, o preço sobe.

Por quê? Porque o mercado precifica os títulos de forma que todos ofereçam rentabilidades competitivas entre si. Se a Selic vai para 15% ao ano e seu Prefixado paga 13,5%, o título precisa ser vendido com desconto para compensar essa diferença.

Tabela: Impacto da Selic no Preço do Prefixado

Cenário da SelicEfeito no Preço do PrefixadoResultado para Quem Segura até o Vencimento
Selic sobePreço cai (prejuízo temporário)Recebe a taxa contratada (sem problema)
Selic caiPreço sobe (lucro antecipado)Pode vender com ganho ou aguardar vencimento
Selic estávelPreço oscila poucoRecebe a taxa contratada

A regra de ouro: Se você pretende segurar o título até o vencimento, as oscilações de preço não importam. Você sempre receberá a taxa contratada.

Quando Investir no Tesouro Prefixado?

O momento ideal para comprar o Tesouro Prefixado é quando:

1. A Selic Está Alta e Com Expectativa de Queda

Este é o cenário clássico. Quando o Banco Central mantém a taxa básica elevada para combater a inflação e o mercado começa a precificar um ciclo de cortes, o Prefixado oferece uma janela de oportunidade.

Exemplo prático: Em março de 2026, com a Selic em 13,75% ao ano, um Prefixado com vencimento em 2029 pagando 14,2% ao ano seria extremamente atrativo. Se a Selic cair para 10% nos próximos 18 meses, o investidor que comprou esse título poderá:

  • Aguardar o vencimento e receber 14,2% ao ano (acima da Selic futura)
  • Vender antecipadamente com lucro expressivo via marcação a mercado

2. A Taxa Prefixada Está Acima da Selic Esperada

Analise as projeções do mercado para a Selic (disponíveis no Boletim Focus do Banco Central). Se o título Prefixado oferece uma taxa superior à Selic esperada para o período, vale considerar a alocação.

3. Você Tem Objetivo de Prazo Definido

Para metas financeiras com data certa — casamento em 3 anos, compra de imóvel em 5 anos, aposentadoria programada — o Prefixado oferece previsibilidade total. Você sabe exatamente quanto terá no vencimento.

Quando Evitar o Tesouro Prefixado?

O Prefixado não é indicado quando:

  • A inflação está acelerando e pode superar a taxa prefixada (o Tesouro IPCA+ seria mais adequado)
  • Há risco de alta da Selic (você ficará "preso" em uma taxa abaixo do mercado)
  • Você pode precisar resgatar antes do vencimento em cenário adverso
  • É sua reserva de emergência (use o Tesouro Selic para isso)

Marcação a Mercado: Como Lucrar com o Prefixado

A marcação a mercado é o mecanismo pelo qual os preços dos títulos são atualizados diariamente conforme as condições do mercado. Para o investidor estratégico, isso representa uma oportunidade de lucro acima da taxa contratada.

Simulação: Ganho com Venda Antecipada

Suponha que você comprou um Tesouro Prefixado com vencimento em 2028 a 14% ao ano, investindo R$ 10.000 em janeiro de 2026.

Cenário A — Selic cai para 10,5% em 12 meses:

  • Valor estimado do título após 12 meses: R$ 11.820 (ganho de 18,2% bruto)
  • Ganho acima da taxa contratada pela marcação a mercado: ~4,2 pontos percentuais extras

Cenário B — Selic sobe para 16% em 12 meses:

  • Valor do título pode cair para R$ 10.200 (rendimento de apenas 2%)
  • Se aguardar o vencimento: recebe os 14% ao ano normalmente

A marcação a mercado é uma faca de dois gumes: pode gerar ganhos excepcionais ou perdas temporárias, dependendo do ciclo de juros.

Prefixado vs IPCA+ vs Selic: Qual Escolher?

Esta é a dúvida mais comum dos investidores de renda fixa. A resposta depende do seu cenário econômico projetado:

Tabela de Decisão: Qual Título Escolher?

Cenário MacroeconômicoMelhor OpçãoJustificativa
Inflação controlada + Selic caindoPrefixadoTrava taxa alta antes dos cortes
Inflação alta e incertaIPCA+Protege o poder de compra
Ambiente de incerteza / reserva de emergênciaSelicLiquidez diária, sem risco de preço
Longo prazo (10+ anos)IPCA+Garante rentabilidade real no tempo
Objetivo de médio prazo (3-5 anos) com Selic altaPrefixadoMelhor relação risco/retorno

Quando o Prefixado Bate o IPCA+?

O Prefixado supera o Tesouro IPCA+ quando a inflação realizada fica abaixo do spread implícito. Se um IPCA+ rende IPCA + 6% e a inflação for 5%, a rentabilidade real seria ~11%. Um Prefixado a 13% o supera.

Mas se a inflação disparar para 9%, o IPCA+ renderia 15% — venceria o Prefixado.

Riscos do Tesouro Prefixado

Antes de investir, considere os riscos específicos deste título:

Risco de taxa de juros: A principal vulnerabilidade. Se você precisar vender antes do vencimento em um período de alta da Selic, pode registrar prejuízo.

Risco de inflação: Se a inflação superar a taxa prefixada, seu poder de compra real será corroído. Por isso, combine Prefixado com IPCA+ na carteira.

Risco de oportunidade: Ficar preso a 13% quando o mercado oferece 16% não é confortável. Avalie bem a janela de entrada.

O risco de crédito é praticamente zero — o Tesouro Direto é garantido pelo Governo Federal, considerado o emissor mais seguro do país.

Estratégia Prática: Como Montar Posição em Prefixado

Para o investidor que deseja exposição ao Prefixado com gestão de risco adequada:

  1. Nunca coloque mais de 30-40% da carteira em Prefixado — diversifique com Selic e IPCA+
  2. Escalone os vencimentos: compre títulos com vencimentos em 2027, 2029 e 2031 para distribuir o risco
  3. Defina um gatilho de saída: se a Selic cair X pontos percentuais, você pode vender com lucro pré-calculado
  4. Combine com CDB prefixado: CDB de bancos pequenos podem oferecer taxas prefixadas mais atrativas para prazos curtos

Veja também como as melhores corretoras de renda fixa em 2026 facilitam o acesso ao Tesouro Direto.

Perguntas Frequentes

O Tesouro Prefixado pode dar prejuízo?

Sim, mas apenas se você vender antes do vencimento em um cenário de alta de juros. Se segurar até o vencimento, você sempre receberá a taxa contratada. O risco de crédito (calote do governo) é considerado praticamente inexistente no Brasil.

Qual o valor mínimo para investir no Tesouro Prefixado?

O investimento mínimo é de R$ 30 ou o equivalente a 1% do valor de um título — o que for maior. Na prática, você consegue começar com valores muito acessíveis pelo aplicativo do Tesouro Direto ou por corretoras como XP, Rico e Nubank.

Devo investir em Prefixado com cupom semestral (NTN-F) ou sem cupom (LTN)?

Depende do seu objetivo. O NTN-F (com cupom) é indicado para quem busca renda recorrente — os juros pagos semestralmente funcionam como um "salário". Já o LTN é melhor para quem não precisa dos juros agora, pois reinveste automaticamente e evita o recolhimento de IR semestral.

Como saber se a taxa prefixada atual está boa?

Compare a taxa do Prefixado com: (1) a Selic atual, (2) as projeções do Boletim Focus para os próximos 2-3 anos e (3) a taxa do IPCA+. Se o Prefixado supera a Selic esperada para o período de vencimento por uma margem razoável (1-2 pontos percentuais), o risco pode ser compensador.

O Prefixado é melhor que o CDB?

Cada um tem suas vantagens. O Tesouro Prefixado tem garantia do governo federal e liquidez diária. O CDB prefixado de bancos pequenos pode oferecer taxas superiores, mas com garantia limitada ao FGC (R$ 250 mil por instituição). Para valores acima disso ou para quem prioriza segurança máxima, o Tesouro leva vantagem.